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Pedro Garcia de Moura

Pedro Garcia de Moura é um artista carioca. Criou o personagem Cartiê Bressão. Como você define a sua profissão quando vai preencher algum questionário?Sabe que pensei nisso hoje? Tenho um filhinho aqui de três anos e minha companheira é cantora. Agora, com o livro, o pequeno fica falando “o papai é fotógrafo, papai é escritor”, e eu pensei o que preencheria nesses formulários de aeroporto. Até falo disso no livro [“Emoção Criativa”, lançado recentemente] e é uma coisa que eu sinto, que tento me definir mais pelos projetos que faço do que por uma profissão. Acho que este caminho de quem faz universidade e tem que se colocar numa gaveta é um pouco limitador. Existe esse certo perigo em se definir. Ser um criativo – alguém que sabe manusear a criatividade – não deve ser fácil. Apesar de te oferecer um monte de possibilidades, não deve ser fácil. Tem uma reflexão que tenho feito no meu caso específico: quem não se limita a uma determinada definição ou rótulo vai tendo que construir a sua carreira de modo que o nome da pessoa traz uma determinada percepção do que ela faz. Desde Wagner Moura, que agora também virou diretor, Chico Buarque, […]
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Giovana Cordeiro

Giovana Cordeiro é atriz e mora no Rio de Janeiro, RJ. Como está sendo para você ver a cena cultural voltando devagar a acontecer? Como foi vivenciar isso tendo abertura neste cenário, estando inserida nele?  Passar por este processo me desafiou para que eu me colocasse em um lugar diferente. Tive a sorte de estar em um projeto que estrearia durante a pandemia, eu tinha o filme sobre o Magal ali na expectativa… Então, de certa forma, comparado a tudo o que tava acontecendo, eu me sentia assim: “beleza, isso aqui vai acontecer, vamos trabalhar.” Eu estava organizada e conseguiria tentar entender as coisas. E aí, artisticamente, foi amadurecendo por aqui uma uma independência, mesmo. A classe, num geral, teve que aprender a se produzir. E isso envolveu muita coisa, todo mundo tendo que se reinventar. Eu comecei a me pensar nesse lugar, da escrita, ou de pensar em produzir, chamar amigos para projetos… Foi muito bom artisticamente e eu me conheço mais fazendo isso, sabe? Participando de coisas com pessoas que são próximas… Estava pensando nisso ainda agora: a gente, num cenário um pouco carioca e até mais audiovisual, fica querendo ser visto por pessoas, querendo trabalhar com pessoas… […]
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Vinicius Calderoni

Vinicius Calderoni, dramaturgo, diretor, ator e músico da banda 5 a Seco, é de São Paulo (SP). Fiz faculdade com o Pedro Viáfora, seu companheiro de 5 a Seco, e acompanhei o grupo começando a acontecer, fui ver vocês tantas vezes! Mas só soube sobre a sua companhia de teatro, a Empório de Teatro Sortido, algum tempo depois, quando uma amiga me mostrou uma matéria que saiu em um jornal com um título esquisito – que parecia um erro!  Sim! Eu achei aquilo genial! Era “Aqui vai um título grande e complexo”. Eu não acreditei quando vi! E é engraçado porque nossos títulos nem são tão grandes e complexos, só o nome da companhia… (Risos) Achei muito bom! Me formei há um ano no [Teatro Escola] Célia Helena e não sei o quanto você tem dimensão disso, mas você já é uma referência nas aulas: a sua linguagem, o tipo de texto que você escreve e o seu trabalho como diretor. Nossa, me conta mais, não sei de nada! Estou meio chocado com isso, já tem montagens nas escolas. Teve uma agora no Célia, de “Os Arqueólogos”, e fiquei: “o quê? Ninguém me avisou? Eu queria tanto ter visto!” Aí fizeram “Ãrrã” […]
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Heitor Dhalia

Heitor Dhalia, diretor de cinema, roteirista e produtor, é de Recife (PE). Como você desenvolveu a sua relação com imagem ao longo da carreira? É interessante, porque, na verdade, a primeira coisa que me chama a atenção nos projetos são os temas, os assuntos que vou abordar. Você normalmente tem uma intuição que te leva àquele universo, àquela discussão temática, e cada vez eu me preocupo mais com o que a retórica da ficção diz, o que o assunto propõe enquanto discussão e que relação ele tem com o mundo. Porém sou meio escravo da imagem, muito ligado em conceitos estéticos, em buscar partidos estéticos e construir universos estéticos – o que eu acho até uma limitação como diretor. Não consigo fazer qualquer filme, desconsiderar a construção da imagem e a beleza. Mas tem gente que não liga tanto para a beleza, sabe? Era a primeira coisa que eu tinha vontade de te perguntar, conhecendo o seu trabalho… Gosto de construir imagem, beleza. Tem a ver com pintura, conceitos de fotografia, de luz, com o que é belo! Eu adoro diretores que fazem isso: você pega um Visconti, um Antonioni, Kurosawa, Kubrick, Coen… Todos constroem muito bem os seus universos, […]
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Felipe de Carolis

Felipe de Carolis, ator e produtor, é do Rio de Janeiro (RJ). Você é um cara que gosta muito de estudar, né? Muito! Aliás, agora eu gostaria de parar a vida para fazer Mestrado. Uma das coisas que mais gosto é me sentir ignorante, mas diante de pessoas, entidades e estruturas nas quais eu confie! Por isso que fui fazer turnê de “Beatles Num Céu de Diamantes” e, enquanto todo mundo saía para conhecer as cidades, eu ia para casa escrever roteiros, ganhar grana e pagar os direitos autorais de “Incêndios”. Isso porque eu queria estar com pessoas que admirava muito. Óbvio que há um privilégio no que vou falar, mas escolher com quem você vai trabalhar é uma coisa muito importante, porque você passará vários meses (e de maneira muito exposta) com pessoas que não conhece. De fato ter essa oportunidade é meio difícil. Ah, sim, só quando você se produz ou se envolve em um projeto com pessoas de quem você é amigo ou gosta muito. Fora a galera que dá muita sorte na vida – eu não acho que fui atravessado pela sorte ainda, mas se Deus quiser vou ser. (Risos) Imagina quando fui fazer “Incêndios” se […]
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Michel Melamed

Michel Melamed é um artista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Seu espetáculo “Monólogo Público” está em cartaz em São Paulo até 08 de maio. Quando penso em você e nas obras com as quais você se envolve, penso em “linguagem”. Você se considera um pesquisador da linguagem? Gostei dessa palavra que você usou, “pesquisador”. Vou passar a usar. Eu costumo dizer “experimentador” e está bem neste lugar mesmo. Então sim, me considero um “pesquisador”. É que o pesquisador já vem com uma certa autoridade e eu me sinto um pouco mais indefeso, muitas vezes por opção. Me sinto como alguém que arrisca, por isso não uso tanto “pesquisador”. Mas é isso, são experimentos: tento fazer o que não sei. É sempre meio neste lugar de desconforto… E no final tem um gozo, né? Uma alegria. Mas de maneira um pouco mais objetiva em relação à questão da linguagem, é uma das coisas pelas quais mais me interesso, é um dos pontos de partida para todos os trabalhos – também porque vejo como espectador, isto é, me interessa que as coisas não sejam persuasivas, que elas não só permitam múltiplas leituras, mas que estimulem as múltiplas leituras e, mais […]
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Bruna Caram

Bruna Caram, cantora, compositora, escritora e atriz, é de Avaré (SP). Você é uma artista “ansiosa”, quer estar em todas as linguagens artísticas, sente isso formigando em você. Se a sua família não fosse tão musical, você acha que sua carreira poderia ter enveredado por outro caminho artístico? Eu acho altamente possível, mas não responsabilizo a minha família por trabalhar com música – às vezes até me incomoda quando dizem “ah, a sua avó era cantora, o seu avô era violonista, então não tinha outro jeito, né?”. É claro que tinha! (risos) A música na minha família nunca foi uma profissão, digo, nunca foi vista como uma maneira de ser famoso ou de um jeito super sério. Música é um modo de estarmos juntos, sempre foi. Eu tenho mais ou menos 30 primos e ninguém mais virou músico profissional. Mas todos fazem música! Quantos primos! É, a última vez que contei eram 27, mas não para de nascer gente, já estão nascendo os filhos dos primos… A música não era levada por esse lado em casa, então foi difícil para mim virar cantora. Quando eu era criança, queria ser desenhista! Eu amava desenhar, a minha primeira arte foi o desenho […]
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Dani Libardi

Dani Libardi, cineasta e artista plástica, dirigiu “3%“, a primeira série original brasileira da Netflix. Ela é de Piracicaba (SP). Teve um momento em que “virou a chavinha”, em que você entendeu que trabalharia com arte? Acho que sei desde criança. Além de cineasta, sou artista plástica. Comecei a fazer aulas de desenho com 6 anos. Minha mãe achou que eu tinha talento – comecei a desenhar antes de escrever – e foi virando parte da minha personalidade isso de se expressar artisticamente. Quando eu estava no cursinho, não sabia o que prestar de faculdade: não queria Artes Plásticas, porque eu já desenhava. Achava interessante o curso, mas não sabia se era isso o que eu queria mesmo. Foi quando, pesquisando, descobri o Audiovisual. E o que me motivou a fazer foi essa possibilidade de contar histórias para muitas pessoas que você não conhece e que não vai encontrar pessoalmente. Você filma algo que pode rodar o mundo! Na época em que prestei nem existia YouTube, acho que foi no segundo ano da minha faculdade que ele começou. Então tudo fez muito sentido e esse é meu desejo, contar histórias para as pessoas e emocioná-las sem precisar necessariamente ter alguma […]
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Camila Márdila

Camila Márdila, atriz, é de Taguatinga (DF). Você se apaixonou primeiro por cinema ou pela atuação? Atuação. Eu fui entender o cinema mais tarde! Não tive uma criação com muito contato com o Cinema – nem com teatro. Não sei de onde tirei isso de ser atriz! (risos) Acho que foi tudo muito intuitivo, era uma coisa da qual eu gostava de fazer, tipo aulinha de teatro. Quando eu era muito pequenininha e não sabia nem ler, com uns quatro ou cinco anos, minha mãe me ajudava a decorar poemas para a apresentação de Dia das Mães da escola… Aí eu participava de todas as apresentações e ela percebia que aquilo me deixava menos tímida, porque eu era muito retraída, fechada. Não era uma criança brincalhona, era séria, uma criança meio velha. Então ela me colocou em oficinas de teatro, cursos.. Tinha um lugar em Brasília que dava curso de modelo infantil, mas a aulinha era de teatro e expressão corporal. Quando eu tinha 14 anos, comecei a dar aulas de desfile para crianças e virei tipo monitora/professora. Comecei a trabalhar bem cedo, assim, nas escolas, uma vez por semana. Aí fui juntando um dinheirinho – também porque tinha essa […]
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