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Pedro Garcia de Moura

Pedro Garcia de Moura é um artista carioca. Criou o personagem Cartiê Bressão. Como você define a sua profissão quando vai preencher algum questionário?Sabe que pensei nisso hoje? Tenho um filhinho aqui de três anos e minha companheira é cantora. Agora, com o livro, o pequeno fica falando “o papai é fotógrafo, papai é escritor”, e eu pensei o que preencheria nesses formulários de aeroporto. Até falo disso no livro [“Emoção Criativa”, lançado recentemente] e é uma coisa que eu sinto, que tento me definir mais pelos projetos que faço do que por uma profissão. Acho que este caminho de quem faz universidade e tem que se colocar numa gaveta é um pouco limitador. Existe esse certo perigo em se definir. Ser um criativo – alguém que sabe manusear a criatividade – não deve ser fácil. Apesar de te oferecer um monte de possibilidades, não deve ser fácil. Tem uma reflexão que tenho feito no meu caso específico: quem não se limita a uma determinada definição ou rótulo vai tendo que construir a sua carreira de modo que o nome da pessoa traz uma determinada percepção do que ela faz. Desde Wagner Moura, que agora também virou diretor, Chico Buarque, […]
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Pedro Gabriel

Pedro Gabriel, escritor, publicitário e criador do projeto Eu me chamo Antônio, nasceu no Chade, na África. Não consigo encontrar na memória desde quando sigo o seu trabalho. Faz tempo! O projeto nasceu em 2012, certo? Isso! O primeiro livro foi publicado em 2013, mas desde 2012 eu já postava os guardanapos, ainda que de forma muito tímida na internet. Em 2014 publiquei o segundo e, em 2016, o terceiro, que é o mais recente. O meu guardanapo, na verdade, nasceu fora da internet: foi no balcão do bar que eu frequentava no Rio de Janeiro quando morava lá, onde eu parava para tomar um chopp, conversar com os amigos… Ali que produzo os guardanapos. A ideia foi totalmente despretensiosa? Totalmente. Sempre gostei de anotar coisas em guardanapos e em papéis: a minha cabeça não para de pensar, de ter ideias, só depois vou ver se são boas ou não. Tenho o hábito de sempre anotar tudo, ando com um caderno de bolso. Um dia, quando ainda trabalhava como redator, estava voltando do trabalho e tinha esquecido o caderno. Tinha várias ideias na cabeça, aí parei no ponto de ônibus e, em frente, estava o Café Lamas, onde desenho todos […]
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Heitor Dhalia

Heitor Dhalia, diretor de cinema, roteirista e produtor, é de Recife (PE). Como você desenvolveu a sua relação com imagem ao longo da carreira? É interessante, porque, na verdade, a primeira coisa que me chama a atenção nos projetos são os temas, os assuntos que vou abordar. Você normalmente tem uma intuição que te leva àquele universo, àquela discussão temática, e cada vez eu me preocupo mais com o que a retórica da ficção diz, o que o assunto propõe enquanto discussão e que relação ele tem com o mundo. Porém sou meio escravo da imagem, muito ligado em conceitos estéticos, em buscar partidos estéticos e construir universos estéticos – o que eu acho até uma limitação como diretor. Não consigo fazer qualquer filme, desconsiderar a construção da imagem e a beleza. Mas tem gente que não liga tanto para a beleza, sabe? Era a primeira coisa que eu tinha vontade de te perguntar, conhecendo o seu trabalho… Gosto de construir imagem, beleza. Tem a ver com pintura, conceitos de fotografia, de luz, com o que é belo! Eu adoro diretores que fazem isso: você pega um Visconti, um Antonioni, Kurosawa, Kubrick, Coen… Todos constroem muito bem os seus universos, […]
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Dani Libardi

Dani Libardi, cineasta e artista plástica, dirigiu “3%“, a primeira série original brasileira da Netflix. Ela é de Piracicaba (SP). Teve um momento em que “virou a chavinha”, em que você entendeu que trabalharia com arte? Acho que sei desde criança. Além de cineasta, sou artista plástica. Comecei a fazer aulas de desenho com 6 anos. Minha mãe achou que eu tinha talento – comecei a desenhar antes de escrever – e foi virando parte da minha personalidade isso de se expressar artisticamente. Quando eu estava no cursinho, não sabia o que prestar de faculdade: não queria Artes Plásticas, porque eu já desenhava. Achava interessante o curso, mas não sabia se era isso o que eu queria mesmo. Foi quando, pesquisando, descobri o Audiovisual. E o que me motivou a fazer foi essa possibilidade de contar histórias para muitas pessoas que você não conhece e que não vai encontrar pessoalmente. Você filma algo que pode rodar o mundo! Na época em que prestei nem existia YouTube, acho que foi no segundo ano da minha faculdade que ele começou. Então tudo fez muito sentido e esse é meu desejo, contar histórias para as pessoas e emocioná-las sem precisar necessariamente ter alguma […]
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Bruna Vieira

Bruna Vieira, 22 anos, é autora, criadora do Depois dos Quinze e youtuber. Nasceu em Leopoldina (MG). Na sua trajetória, você passou de menina doce a garota coragem. Você enxerga essa evolução? Consegue perceber isso? Consigo, principalmente depois que fui morar sozinha. Quando você está sozinha, começa a perceber o que realmente quer. Passei a ver quem eu era e quem estava me tornando ali, sabe? E por ser do interior, tinha uma perspectiva muito diferente do mundo, do que era o mundo e de quem eu era no mundo. E aí, em São Paulo, conheci outro universo, cresci como pessoa. E fui lidando com isso na internet, expondo tudo isso, então o tempo todo as pessoas opinavam – e isso, eu acho, me guiou um pouco, porque cresci com um monte de amigas, sem necessariamente ter este tanto de amigos sempre comigo. Ao mesmo tempo em que é legal e válido ter um tanto de gente falando ‘você me inspira’ e outras pessoas apontando ‘você deveria fazer aquilo’, em um momento eu tive que me fechar, parar de ouvir e perceber o que eu realmente queria. Aí percebi que “nossa, eu fiz coisa pra caramba, né?”. Durante o processo, […]
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Rafael Coutinho

Rafael Coutinho é quadrinista, cartunista e ilustrador e nasceu em São Paulo (SP). Você estudou arte a fundo. Não sei se a fundo, não, acho que tangenciei a arte e que tenho uma carreira bem superficial de artista, que não tem tempo para se aprofundar. (risos) Mas sim, eu estudei arte. Como estudar arte influencia na forma como você faz arte? Ah, foi muito bom! Tem coisas e reflexões sobre o fazer artístico que você não aprende de outra forma, a não ser lendo e estudando, e eu era muito jovem e tinha muitas dúvidas sobre o que era ser artista, então foi um período de conhecer colegas do meio – fiz muitos amigos artistas plásticos – e de experimentar muitas coisas, o que fora da faculdade fica mais complicado de fazer, testar técnicas mais tradicionais… Acho que é uma “caminha” para você conseguir, a partir dali, criar uma narrativa própria. Eu sou bem grato, tenho reflexões que sei que saíram dali sobre o trabalho estar ou não amarrado conceitualmente, se ele se desdobra ou não, se não está muito superficial… Onde você fez faculdade (de Artes Plásticas)? Na Unesp. Me formei em 2004. Tenho 36 anos. O seu trabalho […]
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Vanessa Rozan

Vanessa Rozan, maquiadora e proprietária do Liceu de Maquiagem, é paulistana. Olhando pra trás, de onde você está agora, dá pra apontar o momento em que você entendeu qual era o seu talento e que ele seria a sua profissão? Foi durante o seu ano sabático? Não, não foi. Porque eu estava muito perdida – e acho que demorou alguns anos, pelo menos uns três depois que comecei a fazer isso, para eu entender que aquilo era uma profissão e que daria para ganhar dinheiro. Porque, até então, eu fui fazendo sem pensar muito, estava lidando com o agora, não tinha um planejamento. Fiz o curso no SENAC nesse meu ano sabático porque eu estava antes trabalhando em uma house dentro do Itaú Seguros, que era uma agência de publicidade interna, enfim, meio que já tinha esse plano de carreira: estava em uma empresa grande, entrei como estagiária, depois fui promovida para assistente, fui crescendo lá dentro e, quando resolvi sair, porque percebi que não era aquilo, também não sabia muito o que era. Fui fazer o curso de maquiagem como uma alternativa ao de fotografia, que era mais longo e mais caro para mim naquele momento. Então não foi […]
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