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Blubell

Blubell é cantora e compositora. Nasceu em São José do Rio Preto, mas sempre morou em São Paulo (SP).

Como você decidiu que música era o seu caminho?
Teve uma primeira fase, saindo da escola. Eu já estava totalmente envolvida, com banda, e acabei nem prestando faculdade, fui estudar música. Aí teve uma fase em que dei uma desistida e fiz Design, com 23 anos. Durou só um ano, logo voltei a cantar, faltava na aula para fazer shows e ensaiar, durante o dia dava aulas de inglês… Chegou a hora em que tive que optar. Eu olhei para as minhas colegas de faculdade, que tinham muito talento naquilo, e pensei: “O meu talento é a música. Não vou fazer o diferencial aqui, vou fazer isso na música” Foi quando decidi.

Você nasceu no interior, em São José do Rio Preto, mas sempre morou em São Paulo, certo?
É, eu vim pra São Paulo bebê. A versão curta é que sou paulistana! (risos)

Bom, isso é meio óbvio pela sua música, mas… Suas origens e sua cidade influenciaram muito o que você faz? 
Eu estava dando uma outra entrevista esses tempos e… bom, você vai dando entrevistas, falando disso e vai se dando conta. Porque, na verdade, isso tudo tem a ver com o meu processo criativo, porque não sei muito fazer música por encomenda, tipo “vou fazer uma música sobre a independência do Brasil”. Eu primeiro sinto uma coisa, aí escrevo sobre aquilo e então sai a música. Acaba ficando muito autobiográfico, porque eu sinto primeiro e faço depois.

Então não é muito pensado, é algo que acontece em você?
É o meu estilo de vida, né? Estou na rua o tempo todo, pegando metrô, com fone de ouvido, sou a pessoa que vive essa coisa de cidade grande, é muita informação, tem um pouquinho de tudo aqui, muita gente de todos os estados do Brasil e vamos pegando elementos de fora do país, de dentro, e tudo vai misturando. Não sabemos direito o que as coisas são: se o que me influenciou mais foi o que comi no almoço ou o telefonema que recebi de manhã.

Você já falou sobre como começou. Queria saber se pensa sobre como quer terminar, onde quer chegar.
Olha, quero poder trabalhar! Poder ter público, fazer shows e ter gente lá me vendo. Quero poder comunicar a minha música para um número suficiente de pessoas, que me possibilite estar sempre trabalhando. É isso!

A sua música é “amor e humor”, gosto muito dessa classificação! E tem disco novo vindo aí… Quais são as emoções que estas duas palavras causam em você, “disco novo”?
Frio na barriga! (risos) Bom, são 11 faixas, das quais eu fiz dez, uma delas com uma letra do Zeca Baleiro e tem uma faixa que é uma música do Pélico. Tem muitas de paixonites minhas que duraram cinco minutos, tem histórias pequenas também, tudo relacionado a amor mesmo, com bastante humor! (risos) Este disco é a maior empreitada que já fiz na minha vida, porque resolvi, pela primeira vez, fazer no estúdio em que eu queria, com o produtor que eu queria, com os músicos que eu queria, com o técnico de mixagem, som e masterização, com uma boa assessoria de imprensa… Todo mundo sendo remunerado direitinho, com um sorriso no rosto. E isso custa super caro! É um disco que, por conta de tudo isso, é uma produção um pouco mais, como vou dizer…

…Sua. 500% sua! Sim, tem outras pessoas envolvidas, mas é sua enquanto concepção, você está fazendo exatamente do jeito que quer.
Sim, pela primeira vez. É um passo grande!

Temos previsão pra ele, o “Confissões de Camarim”? E este nome, está escolhido desde quando?
Olha, se tudo der certo, para o meio do ano. E já tem um tempo que estou namorando este nome. Porque tem uma música que fala um pouco disso, de camarim, chama “No Camarim do Cabaré”. E o camarim é meio que a cabine do Super-Homem, é a passagem que você faz de cidadão comum para artista em cima do palco, é um lugar muito especial. E eu gosto de compartilhar essas coisas com todo mundo, porque todo mundo tem isso, todo mundo é artista no fim das contas!

Você pode escolher duas músicas que gostaria muito que fossem suas?
Nossa! Tem uma música da Rita Lee, chamada “Mutante“, que, toda vez que ouço, penso que é uma obra-prima. Ela é perfeita, a letra dela é perfeita, a melodia é perfeita. Ela é uma coisa, assim, que eu queria ter feito!

Um dia bom na sua vida, que não tenha música, só vai ser feliz se você fizer o quê?
Se eu correr no Minhocão com o meu cachorro! Estou viciada, correndo que nem uma doida! Daqui a pouco estou encarando a São Silvestre.

Você pode escolher uma colaboração que te deixou com lágrimas nos olhos e uma colaboração que te deixaria com lágrimas nos olhos?
O que me deixou assim foi o Zeca Baleiro colocar uma letra na minha música. E uma que deixaria com lágrimas nos olhos seria ele cantá-la comigo. (risos) Não sei se a gente vai conseguir! Vamos ver se ele vai ter agenda.

Blubell, você é uma artista. Qual é a maior dor e a maior delícia de ser uma artista?
A maior delícia é você saber que esta exercendo o seu ofício, sentir que está se conectando com os outros. Eu tenho um negócio meio místico e religioso com o que faço, sabe? Me sinto realmente cumprindo a minha missão na Terra porque, no fim das contas, é isso, bicho: estamos todos no mesmo barco, somos todos irmãos e, quanto mais lembrarmos disso e sentirmos isso de verdade, melhor vai ser a vida e melhor fica o cosmos!

E a pior coisa de ser artista, ah, é que você dá o sangue para fazer o que você faz, não é muito por escolha, não temos escolha… E a gente trabalha muito! Damos o sangue e muitos não percebem isso, é muito triste quando acontece! Tem uma cena daquele filme que ganhou o Oscar em 2015, “Birdman”, em que o personagem fala com uma crítica em um bar, é uma cena muito forte! “Eu dou o meu sangue e você escreve três frases e acaba comigo!” (risos) Não estou falando só dos críticos de música: em geral, a gente é meio marginalizado.

E, mesmo assim, não daria nem pra pensar em escolher outra coisa…
Não tem jeito! (risos)

 

Fotos: Carolina Vianna | Entrevista: Fernanda Meirelles